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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Próximo capítulo...


Sabe aquele momento  dos  filmes  e  das  novelas  que aparece uma  legenda  informando"...algum tempo depois..." então, ninguém conta   o andamento até se atingir  esse momento " algum tempo depois", sabe porquê?  Por que não foi interessante...isso acontece com a gente na vida real.


Tem um período em nossas  vidas, que não nos damos conta, porque  estamos focados no depois, mas  as coisas  simplesmente fluem sem maiores explicações,  e  assim  você  só consegue pensar o no  resultado das  sementes  que plantou a  2, 3 meses atrás...

Esse intervalo, não computável, é uma delicia... se conseguíssemos  viver ele  no tempo presente, quero  dizer,  vivemos ele, mas  estamos com a cabeça  no amanhã...nos planos  que fizemos e estamos  trabalhando neles...mas  esse intervalo não mostrado é extremamente  feliz.


Não  há qualquer possibilidade  de que algo de mal ou bom aconteça com você  nesse  momento,  já que  ele  tecnicamente só serve para adiantar  o tempo até  chegar no futuro...é como você deitado em um bote inflável, olhando para  o céu, seguindo o curso do  rio...totalmente  relaxado.

Não há incêndios a  apagar, não há males por curar, não há  nem um gato dependendo de você para um pires de leite...

Tudo que  há  é você,  sua rotina feliz, e os  ventos  do amanha soprando no rosto....enquanto a legenda anuncia..."algum tempo depois..."

Fui assistir  ao  007  no cinema  e  vi que  este roteiro deve ter sido escrito por alguém com mais de  50 anos...é  claro que  o glamour,  a finesse e  a  inexplicável elegância e sensualidade  do  James  Bond  cinquentão é  o que fazem o filme ser interessante...mas,  senti que   o autor  focou  todo o filme, no apego do herói, ao seu recém salvo amor...

Não era  aquela paixão costumeira  volátil que os  filmes de  007  imprimem em quem  os assiste, mas  sim, era um apego instantâneo, a qualquer coisa  que  o tirasse  da rotina estressante  de agente secreto  e  desse a ele  a sensação de  fazer parte  de algo...ou seja,  a vida solitária e excitante  de  agente  secreto, que  usa o amor  como uma  bebida no final do dia, de repente não parecia  mais tão atraente...

Ele, como toda pessoa  que avançou  o sinal dos 40  para frente, estava buscando uma coisa, na verdade, qualquer coisa  que o remetesse para o tal, gasto e batido  amor...segurança, confiança...sensação boa de ter companhia, mesmo que não seja  a companhia  mais excitante...aquela  que você pode  perder  a qualquer minuto...

Claro que o público do cinema, eram pessoas   acima  de 50 anos, com bom gosto suficiente para  relaxar com um cara elegante  de terno, dando porrada em  todo mundo e fugindo em um helicóptero sem despentear o cabelo...doce ficção...


Em fim,  eles só faltaram iniciar o filme  com essa  frase "....Algum tempo depois...."

Duvido que  tenha  um próximo 007,  a menos que seja  o neto do cara em uma releitura,  porque  para  Daniel Craig, tudo que  ele vai querer  e  sossegar o facho com sua recém conquistada  loirinha,  e  seu  carro  fabuloso de  vintage.

Se  você   não é o 007, mas  já passou   dos 40,  observe,  pode ser que você está  flutuando no curso do rio, vendo as  nuvens passar no céu azul,  exatamente no momento em que aparece a legenda ...Algum tempo depois... se  for isso,  aproveite, tome café com os amigos, aceite  o flerte da moça bonita, só não leve ela pra casa...sinta o perfume no pescoço  da  recepcionista,  pequenas  coisas  que passam desapercebidas  enquanto esperamos  oque  virá algum tempo depois...






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