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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Como nos atrevemos?


Entrar de manso na alcova, onde nossas almas repousavam serenas, a tocar  a música dos nossos sonhos e  corromper a inocência dos  nossos desejos? como nos  atrevemos a nos sufocar com tantos  beijos, até que desfalecêssemos de todos os sentidos, e em nossos braços já não conseguíssemos mais ver a diferença entre o lícito e o proibido?..e encostar  teu peito no meu peito, a sentir  toque da pele mapeando poro a poro anulando qualquer dor da alma ou do corpo, entorpecendo nos até que  nos   perdêssemos de nós mesmos...

Como nos permitimos revelar o esconderijo da chave  com a qual protegíamos nosso coração   e zombar assim dos nossos  medos, e nos postar de joelhos em servidão?

E a neve que caia  do telhado onde nós a  muito nos protegíamos, derretia com o som de nossos sussurros com o ritmo de tua respiração. Em um outro plano, la fora  o mundo girava aleatório, mastigando as  horas...que dentro de nós  corriam apressadas...

E a tua boca, ..na minha boca, no meu corpo, nos meus  e nos  teus sonhos todas as  noites...aquelas noites   em que acordamos um com o outro entre os abraços e amassos?como nos atrevemos a  partir?

E nossas mãos  e pernas? e nosso medo do escuro? e  nossas  loucuras adolescentes? como conseguimos fingir  de  forma tão eficiente? me diga por favor em segredo...já não sinto mais tanto medo de que o tempo passe  agora que você  se foi....e sei que  de alguma forma você também sente...

Eu sei, uma  hora  vou adormecer novamente e você também...e a tristeza vai  sair de mansinho pela mesma porta que  entramos...o relógio vai voltar a bater no ritmo de todos os outros, as  luzes vão esmaecer sobre nossas camas no mesmo instante, e ai vamos enfim saber que tivemos  apenas um sonho....e como tal...se perdeu na tarde  que nunca  anoiteceu....