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domingo, 26 de junho de 2016

O  fantástico homem que sabia voar...


Uma vez, me encantei por algúem, tão simples que  chegava  a ser fantástico...não era  simples porque não tinha ambições, ou porque estava  se preparando para  virar um santo de tanto se esforçar para  ser  caridoso com os outros, colocando a si mesmo de lado...não tudo  isso  nele,  só revelava que  ele  estava  fugindo de si mesmo, para agradar  a opinião publica. Como se agindo assim, desviasse a atenção cruel, dos  olhares  alheios sobre a sua verdadeira natureza...

Você  vai me  perguntar o que  há  de  simples  em alguém tão complicado que  precisa se camuflar para  sobreviver...eu explico, uma vez conversando com ele, em meio a arvores e seres que não existem para julgar  seus companheiros  como pombos, abelhas  e  até uma garça  que  vez ou outra  comparecia, eu perguntei a ele: "Qual é o seu maior  medo? " e  ele  me olhou nos olhos  e respondeu..."meu maior medo é o de me perder..." quer coisa mais  simples do que o medo de perder-se  a si mesmo? com perdão  da redundância, esse  é o medo de algúem, que já, em algum momento de sua  vida, encontrou-se perdido...,alguém que,sentou-se na soleira da  porta  e pensou..." e  agora??" sem ouvir nenhuma  só resposta...

Nesta  hora  normalmente, você não encontra ninguém, além  de sua solidão, e  se encontrar, vai ver também  o semblante deles  pensando, com  cinismo  ou  medo de passar  pelo mesmo "coitado!!!"

Pude ver  que  ele tentou ser  ele mesmo, e  como ser  ele mesmo  é o que  ele sabia fazer de melhor, deve ter  despertado nos demais toda sorte de  sentimentos pouco nobres, que formaram a tal"opinião  pública"...você  deve conhecer,  é  o corpo de jurados convocados  a revelia, com competência  zero para  julgar quem quer que seja, mas  que juntos, devoram você  e fazem você  aceitar que é  inapropriado...

Eu tive certeza  que meu amigo já tinha  sido condenado por este juri, e abandonado  a própria sorte...como tantos  outros...

Tive vontade  de  contar a  ele  a  história que  vou lhes contar a gora, a do  incrível homem que  sabia  voar...

Era uma vez um garoto, que  vivia uma vida  normal em  uma aldeia normal, mas  por  diversas  vezes  ele teve a  sensação de que não fazia parte daquele conteúdo, e  que  as  demais  crianças sentiam-se  misteriosamente  ameaçadas quando ele dava sua opinião, ou resolvia  alguma  questão...isso mesmo,  o tribunal e o corpo de jurados  da  opinião pública começa  assim que nascemos... enfim, para não causar  a  sensação de  que  era diferente  e  ser condenado  o garoto resolver  esconder  seu verdadeiro "Eu",  e mesmo quando sabia  a solução de um problema, ele  simulava ignorância, para que os outro se  sentissem valorizados....

Aos  10 anos  ele  acordou, envolvido por uma camada espessa de penas  e uma estrutura macia que saia  de suas  costas...assustado, ele chorou por  horas e  se escondeu com roupas  largas  que disfarçassem a  estranha  anomalia que  havia descoberto  em seu corpo...

Aos poucos  foi aprendendo a se esconder  e conviver  com o belo par de asas, descobriu também que eles  só  se desprendiam quando ele estava se sentindo forte, e tranquilo...nos  demais momentos,  elas  se encaixavam de forma  quase imperceptível em suas  costas...

O tempo passou e  o garoto se  tornou um homem, acostumado a  a se adaptar a mediocridade  para  ser aceito, e  a creditar que o que quer  que   acontecesse de incrível com ele, estava errado, ja que os demais não estavam preparados  para entender...

Um dia  conheceu uma  garota, e  ela  parecia  diferente dos  demais,  ela não se importava de ele ser inteligente, ou se  ele demonstrasse habilidades, pois  ela mesma, tinha segredos não revelados...aos poucos  foram se afinando até  um ponto que ele a levou para  voar junto com ele...nesse momento, ele percebeu que estava  se encontrando, e que  o "estar perdido" não acontecia quando ele  assumia  sua identidade, e sim, quando ele  a  escondia...

Decidiram  juntos  manter o segredo um do outro  para conviver em paz com  a sociedade  e  quando estavam juntos, era como se voltassem para onde pertenciam...até  que um dia...

...O povoado foi inundado pelo mar,  e  o filho  do rei ficou  preso em uma  ilha, cercada por  crocodilos  e animais  famintos, a  água  subia em uma velocidade  assustadora, e o rei não sabia o que fazer para  recuperar seu pequeno príncipe...em desespero ajoelhou-se no chão  e começou a pedir em voa alta  a Deus, que lhes mandasse  um milagre....

O homem  que  sabia  voar, abriu as  asas,  voou até  a  pequena ilha e  resgatou a criança  devolvendo-na  aos  braços do rei...que  em princípio emocionado agradeceu ao homem, que nem percebeu os olhares  dos  demais a sua volta...o " juri  popular",  criaturas   tão primitivas, mas que se  achavam capazes de julgar, algúem com habilidades fantásticas...

O homem que  sabia  voar  voltou para casa, achando que  finalmente  seria aceito como era  sua natureza, afinal todos  entenderiam, que  voar, era para  ele, algo natural...e  podia, até ser útil em momentos  em que ninguém mais soubesse o que fazer...mas...

Durante  a noite, os conselheiros  do rei, reuniram-se  e  decidiram que tal aberração não poderia  ser mantida  entre  eles, pessoas  " Normais",  e  que  a habilidade  de  voar não era natural...assim que decidiram por cortar as  asas  do homem  que sabia voar, e condená-lo ao exílio, para que não chamasse a  atenção...

O homem que sabia  voar, fugiu, sentou-se na  soleira da porta de  qualquer lugar, e  pensou..." e  agora??" mas  ao invés  de  olhar pra trás, ele olhou pra frente,  e decidiu voar o mais alto que conseguisse, sem se importar  com os  possíveis  juris  populares  que encontrasse...

Voou  sozinho, por quilômetros, dias, noites, triste...se perguntando, como poderia ser triste algúem que podia voar??? foi então  que  ele  entendeu...naquele povoado, voar era  algo assustador, e eles não  estavam preparados  para isso...ele precisava procurar um povoado onde todos  soubessem voar, assim, poderia ser ele mesmo,e  assim ele se encontrou....

Essa  fábula,  explica milhares  de  vezes  em que  você  é condenado por ser quem você  é...por  algúem que jamais  alcançará a sua habilidade...

Perder-se? eu diria ao meu amigo, a gente se perde quando se importa com o juri popular, pois  a unica certeza que eles tem, é que você  sozinho, se pudesse  se ver de onde eles te vêem, seria capaz  de derrotá-los em um estalar de  dedos...

Ich vermisse dich ...







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