O fantástico homem que sabia voar...
Uma vez, me encantei por algúem, tão simples que chegava a ser fantástico...não era simples porque não tinha ambições, ou porque estava se preparando para virar um santo de tanto se esforçar para ser caridoso com os outros, colocando a si mesmo de lado...não tudo isso nele, só revelava que ele estava fugindo de si mesmo, para agradar a opinião publica. Como se agindo assim, desviasse a atenção cruel, dos olhares alheios sobre a sua verdadeira natureza...
Você vai me perguntar o que há de simples em alguém tão complicado que precisa se camuflar para sobreviver...eu explico, uma vez conversando com ele, em meio a arvores e seres que não existem para julgar seus companheiros como pombos, abelhas e até uma garça que vez ou outra comparecia, eu perguntei a ele: "Qual é o seu maior medo? " e ele me olhou nos olhos e respondeu..."meu maior medo é o de me perder..." quer coisa mais simples do que o medo de perder-se a si mesmo? com perdão da redundância, esse é o medo de algúem, que já, em algum momento de sua vida, encontrou-se perdido...,alguém que,sentou-se na soleira da porta e pensou..." e agora??" sem ouvir nenhuma só resposta...
Nesta hora normalmente, você não encontra ninguém, além de sua solidão, e se encontrar, vai ver também o semblante deles pensando, com cinismo ou medo de passar pelo mesmo "coitado!!!"
Pude ver que ele tentou ser ele mesmo, e como ser ele mesmo é o que ele sabia fazer de melhor, deve ter despertado nos demais toda sorte de sentimentos pouco nobres, que formaram a tal"opinião pública"...você deve conhecer, é o corpo de jurados convocados a revelia, com competência zero para julgar quem quer que seja, mas que juntos, devoram você e fazem você aceitar que é inapropriado...
Eu tive certeza que meu amigo já tinha sido condenado por este juri, e abandonado a própria sorte...como tantos outros...
Tive vontade de contar a ele a história que vou lhes contar a gora, a do incrível homem que sabia voar...
Era uma vez um garoto, que vivia uma vida normal em uma aldeia normal, mas por diversas vezes ele teve a sensação de que não fazia parte daquele conteúdo, e que as demais crianças sentiam-se misteriosamente ameaçadas quando ele dava sua opinião, ou resolvia alguma questão...isso mesmo, o tribunal e o corpo de jurados da opinião pública começa assim que nascemos... enfim, para não causar a sensação de que era diferente e ser condenado o garoto resolver esconder seu verdadeiro "Eu", e mesmo quando sabia a solução de um problema, ele simulava ignorância, para que os outro se sentissem valorizados....
Aos 10 anos ele acordou, envolvido por uma camada espessa de penas e uma estrutura macia que saia de suas costas...assustado, ele chorou por horas e se escondeu com roupas largas que disfarçassem a estranha anomalia que havia descoberto em seu corpo...
Aos poucos foi aprendendo a se esconder e conviver com o belo par de asas, descobriu também que eles só se desprendiam quando ele estava se sentindo forte, e tranquilo...nos demais momentos, elas se encaixavam de forma quase imperceptível em suas costas...
O tempo passou e o garoto se tornou um homem, acostumado a a se adaptar a mediocridade para ser aceito, e a creditar que o que quer que acontecesse de incrível com ele, estava errado, ja que os demais não estavam preparados para entender...
Um dia conheceu uma garota, e ela parecia diferente dos demais, ela não se importava de ele ser inteligente, ou se ele demonstrasse habilidades, pois ela mesma, tinha segredos não revelados...aos poucos foram se afinando até um ponto que ele a levou para voar junto com ele...nesse momento, ele percebeu que estava se encontrando, e que o "estar perdido" não acontecia quando ele assumia sua identidade, e sim, quando ele a escondia...
Decidiram juntos manter o segredo um do outro para conviver em paz com a sociedade e quando estavam juntos, era como se voltassem para onde pertenciam...até que um dia...
...O povoado foi inundado pelo mar, e o filho do rei ficou preso em uma ilha, cercada por crocodilos e animais famintos, a água subia em uma velocidade assustadora, e o rei não sabia o que fazer para recuperar seu pequeno príncipe...em desespero ajoelhou-se no chão e começou a pedir em voa alta a Deus, que lhes mandasse um milagre....
O homem que sabia voar, abriu as asas, voou até a pequena ilha e resgatou a criança devolvendo-na aos braços do rei...que em princípio emocionado agradeceu ao homem, que nem percebeu os olhares dos demais a sua volta...o " juri popular", criaturas tão primitivas, mas que se achavam capazes de julgar, algúem com habilidades fantásticas...
O homem que sabia voar voltou para casa, achando que finalmente seria aceito como era sua natureza, afinal todos entenderiam, que voar, era para ele, algo natural...e podia, até ser útil em momentos em que ninguém mais soubesse o que fazer...mas...
Durante a noite, os conselheiros do rei, reuniram-se e decidiram que tal aberração não poderia ser mantida entre eles, pessoas " Normais", e que a habilidade de voar não era natural...assim que decidiram por cortar as asas do homem que sabia voar, e condená-lo ao exílio, para que não chamasse a atenção...
O homem que sabia voar, fugiu, sentou-se na soleira da porta de qualquer lugar, e pensou..." e agora??" mas ao invés de olhar pra trás, ele olhou pra frente, e decidiu voar o mais alto que conseguisse, sem se importar com os possíveis juris populares que encontrasse...
Voou sozinho, por quilômetros, dias, noites, triste...se perguntando, como poderia ser triste algúem que podia voar??? foi então que ele entendeu...naquele povoado, voar era algo assustador, e eles não estavam preparados para isso...ele precisava procurar um povoado onde todos soubessem voar, assim, poderia ser ele mesmo,e assim ele se encontrou....
Essa fábula, explica milhares de vezes em que você é condenado por ser quem você é...por algúem que jamais alcançará a sua habilidade...
Perder-se? eu diria ao meu amigo, a gente se perde quando se importa com o juri popular, pois a unica certeza que eles tem, é que você sozinho, se pudesse se ver de onde eles te vêem, seria capaz de derrotá-los em um estalar de dedos...
Ich vermisse dich ...
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