Como nos atrevemos?
Entrar de manso na alcova, onde nossas almas repousavam serenas, a tocar a música dos nossos sonhos e corromper a inocência dos nossos desejos? como nos atrevemos a nos sufocar com tantos beijos, até que desfalecêssemos de todos os sentidos, e em nossos braços já não conseguíssemos mais ver a diferença entre o lícito e o proibido?..e encostar teu peito no meu peito, a sentir toque da pele mapeando poro a poro anulando qualquer dor da alma ou do corpo, entorpecendo nos até que nos perdêssemos de nós mesmos...
Como nos permitimos revelar o esconderijo da chave com a qual protegíamos nosso coração e zombar assim dos nossos medos, e nos postar de joelhos em servidão?
E a neve que caia do telhado onde nós a muito nos protegíamos, derretia com o som de nossos sussurros com o ritmo de tua respiração. Em um outro plano, la fora o mundo girava aleatório, mastigando as horas...que dentro de nós corriam apressadas...
E a tua boca, ..na minha boca, no meu corpo, nos meus e nos teus sonhos todas as noites...aquelas noites em que acordamos um com o outro entre os abraços e amassos?como nos atrevemos a partir?
E nossas mãos e pernas? e nosso medo do escuro? e nossas loucuras adolescentes? como conseguimos fingir de forma tão eficiente? me diga por favor em segredo...já não sinto mais tanto medo de que o tempo passe agora que você se foi....e sei que de alguma forma você também sente...
Eu sei, uma hora vou adormecer novamente e você também...e a tristeza vai sair de mansinho pela mesma porta que entramos...o relógio vai voltar a bater no ritmo de todos os outros, as luzes vão esmaecer sobre nossas camas no mesmo instante, e ai vamos enfim saber que tivemos apenas um sonho....e como tal...se perdeu na tarde que nunca anoiteceu....
Nenhum comentário:
Postar um comentário