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quarta-feira, 25 de março de 2015

Amor  da minha vida.

Recentemente  jantei com um grupo de  amigos,  e  na minha nova fase de aprendizado nessa  vida,, tenho  me  dedicado a  observar.

Observando as pessoas, e  seus trejeitos, conseguimos  descobrir  muito sobre elas, como por exemplo: quando  estão afirmando coisas  que não acreditam de verdade, quando  provavelmente estão mentindo dobre algo que fizeram, quando  o tema lhes desperta  medo, angustia  e  por ai vai.

Faço uma pausa  aqui para  lembrar de uma antiga máxima que dizia: " quando você pensa  que  não está  sendo observado contenha-se, pois  é   com certeza a  mira direta  de  um ou dois olhos curiosos e  entediados, buscando um  movimento falho na sua postura  para te decifrar e  preencher o vazio que os cerca  com histórias de seu eu, mesmo que  anônimo para  eles"

Então se eu estiver por perto, cuide-se  x 2.

Bom,  voltemos a história.

Era um grupo de  10 pessoas, alguns eram casais,  e  um dos casais me chamou a atenção em particular. Ela  tentava se  sobressair  na  conversa  com uma retórica incisiva e inflamada, ainda que  de pouca consistência,  os demais, fingiam ter muita atenção nas idéias que ela colocava, cheia de opiniões próprias e  preconceituosas.
Ele passava  a maior parte  do tempo calado, pois o moço experiente  dava a  impressão de que sabia  que seria incinerado caso se manifestasse naquele momento, mas  em seu canto, balançava a cabeça de  forma a negar o que ouvia e  sorria discretamente.

Entre  um arroubo e  outro da sua  mulher, a oradora  em questão, o rapaz flertava secretamente  com uma das ouvintes,  uma belíssima  morena  de traços tailandeses, que  tímida  tentava mostrar  desinteresse, mas sorria com o lisonjeio de ser cortejada com discrição.

Lá pelo 3  ou 4  copo de  vinho, ela  repetiu umas  tantas vezes," ele é  o amor da minha vida",  e  ao invés  de sentir orgulho  no semblante  do rapaz, eu vi o que ninguém mais  viu: Medo!

Esta frase,Ele, ou Ela é  o amor da minha vida, dita assim em publico, me levou  direto  a  época onde os  escravos eram comprados  no mercado, algemados  e  carregados  junto de seus  donos  sem direito a opinião. A partir  da  hora  que  você recebe este  título não se engane, essa pessoa  não  vai te dar mole não, você  será o único responsável pela felicidade  da criatura, ela ou ele  vai caminhar  ao  seu lado  com um cateter  que drena o  sangue  fresquinho de  sua veia  para a veia dela, para que se sinta revigorada  permanentemente.

Só vai se sentir bem ao te ver, só vai estar  segura  quando você  estiver  olhando pra ela, só vai caminhar se for com suas pernas, e essa dependência  tende  a piorar, afinal, você é o amor da vida dele, ou dela...e  por isso tem que desempenhar o seu papel...pois todos  já sabem, já que ela declara  isso ao publico com frequência.


Ele  ou ela é  a moldura e  você  a obra de arte enquadrada, tem que estar ali perfeito toda vez que ela te solicitar, afinal, você precisa se encaixar nos sonhos  da  pessoa...ai eu pergunto, e se você não quiser?

Talvez  devesse  haver uma cerimônia para pessoa perguntar para a outra: você gostaria de ser o amor da minha vida? ai sim, você ia poder  pensar  sobre  a proposta e decidir se quer o não.

Ai  as pessoas  teriam a delicadeza de parar  de  colocar o outro numa saia  justa dessas e guardar  suas  expectativas  sobre o par ideal  para si, e  ao invés  de  cobrá-la de alguém, dar um pouco de si ao eleito, fazendo com que ele se sinta secretamente amado por meio de dar suporte emocional quando  ele precisasse, por gentilezas sutis quando você estivesse por perto, e  caso tivesse  a chance de em algum momento mais  íntimo tê-lo, ai sim, com sussurros  revelar, o tão comercializado "Eu te  amo", só para os ouvidos dele ou dela registrarem  o momento.



È  isso.

beijus.




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