Recentemente jantei com um grupo de amigos, e na minha nova fase de aprendizado nessa vida,, tenho me dedicado a observar.
Observando as pessoas, e seus trejeitos, conseguimos descobrir muito sobre elas, como por exemplo: quando estão afirmando coisas que não acreditam de verdade, quando provavelmente estão mentindo dobre algo que fizeram, quando o tema lhes desperta medo, angustia e por ai vai.
Faço uma pausa aqui para lembrar de uma antiga máxima que dizia: " quando você pensa que não está sendo observado contenha-se, pois é com certeza a mira direta de um ou dois olhos curiosos e entediados, buscando um movimento falho na sua postura para te decifrar e preencher o vazio que os cerca com histórias de seu eu, mesmo que anônimo para eles"
Então se eu estiver por perto, cuide-se x 2.
Bom, voltemos a história.
Era um grupo de 10 pessoas, alguns eram casais, e um dos casais me chamou a atenção em particular. Ela tentava se sobressair na conversa com uma retórica incisiva e inflamada, ainda que de pouca consistência, os demais, fingiam ter muita atenção nas idéias que ela colocava, cheia de opiniões próprias e preconceituosas.
Ele passava a maior parte do tempo calado, pois o moço experiente dava a impressão de que sabia que seria incinerado caso se manifestasse naquele momento, mas em seu canto, balançava a cabeça de forma a negar o que ouvia e sorria discretamente.
Entre um arroubo e outro da sua mulher, a oradora em questão, o rapaz flertava secretamente com uma das ouvintes, uma belíssima morena de traços tailandeses, que tímida tentava mostrar desinteresse, mas sorria com o lisonjeio de ser cortejada com discrição.
Lá pelo 3 ou 4 copo de vinho, ela repetiu umas tantas vezes," ele é o amor da minha vida", e ao invés de sentir orgulho no semblante do rapaz, eu vi o que ninguém mais viu: Medo!
Esta frase,Ele, ou Ela é o amor da minha vida, dita assim em publico, me levou direto a época onde os escravos eram comprados no mercado, algemados e carregados junto de seus donos sem direito a opinião. A partir da hora que você recebe este título não se engane, essa pessoa não vai te dar mole não, você será o único responsável pela felicidade da criatura, ela ou ele vai caminhar ao seu lado com um cateter que drena o sangue fresquinho de sua veia para a veia dela, para que se sinta revigorada permanentemente.
Só vai se sentir bem ao te ver, só vai estar segura quando você estiver olhando pra ela, só vai caminhar se for com suas pernas, e essa dependência tende a piorar, afinal, você é o amor da vida dele, ou dela...e por isso tem que desempenhar o seu papel...pois todos já sabem, já que ela declara isso ao publico com frequência.
Ele ou ela é a moldura e você a obra de arte enquadrada, tem que estar ali perfeito toda vez que ela te solicitar, afinal, você precisa se encaixar nos sonhos da pessoa...ai eu pergunto, e se você não quiser?
Talvez devesse haver uma cerimônia para pessoa perguntar para a outra: você gostaria de ser o amor da minha vida? ai sim, você ia poder pensar sobre a proposta e decidir se quer o não.
Ai as pessoas teriam a delicadeza de parar de colocar o outro numa saia justa dessas e guardar suas expectativas sobre o par ideal para si, e ao invés de cobrá-la de alguém, dar um pouco de si ao eleito, fazendo com que ele se sinta secretamente amado por meio de dar suporte emocional quando ele precisasse, por gentilezas sutis quando você estivesse por perto, e caso tivesse a chance de em algum momento mais íntimo tê-lo, ai sim, com sussurros revelar, o tão comercializado "Eu te amo", só para os ouvidos dele ou dela registrarem o momento.
È isso.
beijus.
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