Na minha, na sua, na nossa aba do chapéu...
Acho que não me formei em profissões respeitadíssimas como gerente de boite, crítico de restaurantes, degustador de vinho, ou ginecologista, urologista talvez...porque tive medo de transformar coisas que gosto muito de fazer em rotina...
Os primeiros anos destas profissões devem ser realmente empolgantes, mas vamos combinar que a repetição constante e a obrigatoriedade deixariam coisas gostosas como conhecer um restaurante novo, se tornarem enfadonhas....
Tá, o restaurante seria novo, mas você não poderia relaxar e simplesmente saborear sua refeição se tivesse que fazer um relatório sobre isso certo?
È por isso que sempre achei que trabalhar onde procuramos lazer não era boa ideia.
Não pense que estou dizendo que não se pode ser feliz no trabalho, é claro que isso é possível. Só estou dizendo, que após sairmos do trabalho, queremos esfriar a cuca em nossa forma de lazer favorita, mas...o que fazer se trabalhamos neste lugar...saímos de lá e vamos pra onde???
Eu viajo bastante a trabalho, e não raro ao dizer que estou indo viajar a trabalho eu escutar o comentário..." me leva com você?" ou então..." não está precisando de um assistente??" ou " será que sua mala é grande o suficiente par eu entrar?"
E nessa hora, logo após revirar os olhos eu penso... qual parte do vou trabalhar a pessoa não entendeu...mas outra coisa me passa pela cabeça...será que esta pessoa estaria interessada em saber se eu desejo viajar com ela?? ou é apenas um ato self de se convidar para que eu a leve?
Então imagine só o degustador de vinhos, sempre que ele tem um evento, algúem se oferecendo para ir com ele...e o Ginecologista, imagine você ir ao ginecologista e ao estar pronta para um papa Nicolau, notasse a presenã de um individuo ao lado do médico, e ao perguntar que seria, o médico respondesse..." Ah, é só um amigo meu que se ofereceu pra vir junto..."
Se auto- convidar, já é por si só um ato de extrema deselegância, já que você coloca a outra pessoa na posição do carrasco que terá que dizer não, sendo que você é que é o incauto que fez a proposta indecente...
Uma vez eu cai nessa...por um lapso de ingenuidade eu pensei, poxa, esta pessoa trabalha a tanto tempo nos bastidores, e nunca conseguiu presenciar a ação que é ver o trabalho que teve sua contribuição burocrática pronto....
Então pensei, vou leva-la comigo, isso vai ser bem importante para ela....
Meu amigo...eu comprovei em uma única viagem, todas as teorias de " quem se apieda do outro, desconfia da programação de Deus"... isto é verdade...Uma vez se sentindo na aba do meu chapéu, a pessoa se transformou em uma mistura de bebê mimado, com imperador Cuzco...e eu, tive que dividir meu tempo entre resolver os problemas do cliente e verificar se ela estava se sentindo segura e confortável...e nada parecia ser o suficiente, de uma forma que tive uma estafa após o evento....
Não pensem que eu parei por ai, arrisquei mais umas duas vezes, e digo a você...aprendi de uma vez por todas...agora quando escuto essas sugestões tão amistosas e singelas de alguém, agradeço e saio bem rápido...
Uma vez, alguém que confio muito me disse " se a pessoa tem o descaramento de pedir algo absurdo, por favor tenha o descaramento de dizer não" Se eu tivesse seguido isso teria evitado muitos problemas na minha vidinha...enfim, vivendo e aprendendo...
Hoje, mantenho segredo sempre quando tenho que viajar a trabalho, vou e volto as vezes sem que ninguém que não faça parte dos meus, desconfie....e a minha mala?? bom pode confiar que não é uma mala sem alça... e sempre divido as experiências apenas quando volto...
Mas isso me deixa triste, saber que ainda existe por ai tanta gente supostamente esperta que deve acreditar que para se conseguir o que quer, não é necessário fazer nenhum esforço...basta apenas pedir a trouxas com uma aba de chapéu larga, como a minha, a sua a nossa...
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