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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Na minha, na  sua, na nossa  aba do chapéu...


Acho que não me  formei em profissões  respeitadíssimas  como  gerente  de  boite, crítico  de restaurantes, degustador de  vinho, ou ginecologista, urologista talvez...porque  tive medo de  transformar  coisas  que gosto muito de  fazer  em rotina...

Os primeiros  anos destas  profissões devem ser realmente  empolgantes, mas   vamos combinar  que   a  repetição constante  e a obrigatoriedade  deixariam coisas  gostosas como conhecer um restaurante novo, se tornarem enfadonhas....

Tá, o restaurante seria novo, mas  você não poderia  relaxar e simplesmente  saborear   sua refeição se  tivesse que fazer um relatório sobre isso certo?

È  por isso que  sempre  achei que  trabalhar onde  procuramos lazer não era boa  ideia.

Não   pense que estou dizendo que  não se pode  ser feliz no trabalho, é  claro que  isso é possível. Só estou dizendo, que após  sairmos do trabalho, queremos esfriar a cuca em nossa forma de lazer favorita, mas...o que fazer  se  trabalhamos  neste  lugar...saímos de lá  e vamos pra onde???


Eu viajo bastante  a trabalho, e  não raro  ao dizer que estou indo viajar a trabalho eu escutar o comentário..." me leva com você?"  ou então..." não está precisando de um assistente??" ou " será que sua mala  é grande o suficiente par eu entrar?"  

E nessa  hora,  logo após  revirar os  olhos eu penso... qual parte do vou trabalhar  a pessoa não entendeu...mas outra coisa me  passa pela cabeça...será que esta pessoa estaria interessada em saber  se eu desejo viajar com ela??  ou é  apenas um ato self  de  se convidar para que eu  a leve?

Então  imagine só  o degustador de  vinhos, sempre que  ele tem um evento, algúem  se oferecendo para  ir com ele...e o Ginecologista,  imagine  você   ir ao ginecologista  e ao estar pronta para um papa Nicolau, notasse  a presenã de um  individuo  ao lado do médico, e ao perguntar  que seria, o médico respondesse..." Ah, é só um amigo meu que se ofereceu pra vir junto..."

Se  auto- convidar,  já  é por  si só um ato de  extrema  deselegância,  já  que você coloca   a outra  pessoa na posição do carrasco que terá que dizer não, sendo que você  é que é  o  incauto que fez  a proposta indecente...

Uma vez  eu  cai nessa...por um lapso de  ingenuidade  eu  pensei,  poxa, esta pessoa  trabalha a tanto tempo nos  bastidores,  e nunca  conseguiu  presenciar  a  ação que  é  ver   o trabalho que    teve  sua contribuição  burocrática  pronto....

Então pensei, vou leva-la  comigo, isso  vai ser  bem importante para  ela....

Meu amigo...eu  comprovei  em uma única viagem, todas as  teorias de " quem se apieda do outro, desconfia  da programação de  Deus"... isto é  verdade...Uma vez  se sentindo na  aba do meu chapéu, a  pessoa se transformou em uma mistura de  bebê mimado, com imperador Cuzco...e eu, tive que dividir meu tempo entre  resolver os problemas do cliente e verificar se ela estava se sentindo segura e confortável...e nada parecia ser o suficiente, de uma forma  que tive uma estafa  após  o evento....

Não pensem que eu parei por ai,  arrisquei mais umas  duas  vezes, e digo a você...aprendi de uma vez por todas...agora quando escuto  essas sugestões tão amistosas e singelas  de  alguém, agradeço  e  saio bem rápido...

Uma  vez, alguém  que  confio muito me disse " se  a pessoa  tem o descaramento de  pedir algo absurdo, por favor  tenha o descaramento de  dizer não"  Se eu tivesse seguido isso teria evitado muitos problemas na minha  vidinha...enfim, vivendo e aprendendo...

Hoje,  mantenho segredo  sempre quando  tenho que viajar a trabalho, vou e volto as vezes  sem  que ninguém que  não faça parte dos meus, desconfie....e  a minha mala?? bom  pode confiar que não é  uma mala  sem alça... e sempre divido as experiências  apenas quando volto...

Mas  isso me deixa triste,  saber que  ainda existe por ai tanta  gente  supostamente esperta que  deve acreditar que  para se  conseguir o que  quer, não é necessário fazer nenhum esforço...basta apenas  pedir a  trouxas  com uma  aba de chapéu larga, como a minha, a sua  a nossa...




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