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quarta-feira, 6 de julho de 2016

Poeira de  estrelas...


Ernest Hemingway em "Meia noite em Paris", representou uma fala  escrita  por  Woody Alen onde ele dizia, quando se faz amor com a mulher a qual você  se  apaixonou, você  se sente  invencível, durante todo o balé onde dois corpos viram apenas um, as almas  se fundem por segundos onde é possível experimentar a eternidade, até um desfecho final, que te dá forças suficientes para enfrentar a própria morte...

E ali estava ele, sentado...distraído, pensando nela, disfarçando o sorriso que  aquele pensamento  lhe imprimia no rosto... conversando com algúem, mas  se  perguntassem a ele  com quem conversava ou qual  era o tema, ele certamente nem se  recordaria, seu  pensamento pertencia  a ela, e era tão prazeroso que o universo  girava  a própria sorte...

As vezes olhava para o vazio, onde somente ele  podia enxergar cenas projetadas na  tela  invisível a sua  frente...ELA, seu sorriso, seu olhar, seu caminhar...seus  lábios, aqueles  que lhe causavam verdadeira revolução em todos os sentidos, quando ela distraidamente os  encostava no rosto dele para um cumprimento casual...será que um dia provaria dos lábios dela??ainda nesta encarnação??uma unica vez que fosse, valeria...

E as vezes  em seus pensamentos, ele se lembrava de  respirar...entre suspiros...

Foi então que  o impossível aconteceu, ela  se materializou bem ali, na sua frente...subindo as escadas, cercada de tantos outros  rostos que na cena, faziam figuração...o resto do mundo apagou as  luzes, e um refletor potente a acompanhava enquanto ela seguia seu caminho...coração na boca, olhos na boca dela enquanto sorria e se aproximava para cumprimentá-lo...seria uma miragem? um devaneio, um desejo  sólido...o que botaram no café que ele tomava?


Em uma cena para dois, ela ignorou todos a sua volta,..cruzou seu corpo em direção a sua face e o beijou....onde  a velocidade de tudo para...só os dois movimentavam-se no espaço tempo...3cm da boca dela, 3cm antes de tocar o céu...imortal...


Algo rompeu o silêncio, partiu a cena  em dois, eles se afastaram...desviaram o  olhar, ainda  anestesiado pelo momento, tentando disfarçar como algúem que sofre um choque inesperado...sair sem pagar seria algo considerado normal...diante do impacto dos acontecimentos...

E cada um foi pro seu lado, espalhando poeira de estrelas....rumo a sua própria solidão...




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