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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Fugindo do normal...


Antigamente, normal era tirar férias e  ir pra  casa da  vó no interior, ficar alguns dias  em uma  rotina onde não se tem compromissos, alem de  sentar na porta  depois do jantar  e  tomar "a  fresca", jogando conversa fora  e rindo de bobagens corriqueiras...tudo normal... depois voltar  pra casa, e encarar a loucura urbana, mas partindo de um  ponto onde a alma estaria  mais leve, com a visão mais clara...

Hoje o normal, é  pegar tudo que se ganhou na loucura urbana, e investir numa viagem internacional, desbravando países, idiomas  estrangeiros, passando aperto nos aeroportos, filas  comendo em  restaurantes  que  não sabem mais o que inventar para que seu "estilo gourmet" supere os atuais "home chefs", que transformam o feijão com arroz diário em uma experiência  gastronômica...isso  é o novo "normal"...

Vejo meus  amigos, totalmente  perturbado no inicio de suas  férias, programando para eles e para  os filhos, as vezes  menores  de 10 anos, viagens  que só deveriam ser feitas após  os 25...hoje começam aos 5... e essas crianças com essa  sede "normal" de devorar  o mundo, não fazem a mais vaga idéia do que está  acontecendo...seguem os pais  como autômatos, e aprendem que isso é que é normal...

Também pudera, as  avós normais de hoje são viúvas  emancipadas  gestoras de um patrimônio sólido legado dos  finados  avôs, o qual  pretendem usar ainda em vida  para fazer o que é normal...viagens em grupos de melhor idade  com pessoas  que nunca viram e nem sabem se gostam, acumulando experiências, aprendendo a lidar com a internet, e entrando em grupos familiares com mensagens  tão repetitivas que chegam a irritar...

Cozinhar?? pra quê? netos?? ah esses estão desbravando  o mundo, não tem tempo de visitar os avós...e o tempo passa.

Por sorte, a roda da vida  é cíclica, e  assim que  acontecer  o previsto, ou seja, todas as possibilidades de  deslumbramento exagerado tornarem-se irritantes, o normal vai ser cansativo e  exagerado...ai a vovó vai ficar em casa  em um final de semana  e fazer  broa de milho...não porque precisa mostrar o seu lado gourmet, mas porque sentiu saudades de cozinhar...então ela  vai convidar  o neto para  fazer uma coisa  "anormal", tomar café da tarde com ela, e depois sentar na porta para tomar a "fresca", e jogar conversa fora...

Isso vai ser uma situação tão nova para os  dois, que nem vão se lembrar de fotografar uma selfie  do momento para contar  para o mundo que estão experimentando uma coisa nova, mas  quando voltar pra casa, o neto vai contar com empolgação para os amigos as aventuras na casa da avó, e eles  vão sentir vontade de experimentar esse  fantastico novo velho mundo...e  vão desejar fugir  do "normal " também...

Meu amigo, ou isso  vai acontecer, ou todos nós vamos nos afastar tanto do antigo normal, que vamos esquecer como era, e uma  vovó saudosa, vai reunir em um chá  elegante outras  vovós e vão criar uma empresa milionária, a " personal grandma" onde vovós treinadas  para  agir como antigamente, encenarão  o papel de  vovó para serem  contratadas  por pais no período das férias, e seus  filhos finalmente  conhecerão a experiência de  passar  as  férias com a vovó...

Não importa  como, nem porquê, o importante  é  fugir do normal, até  que  o novo vire  rotina, e  o velho passe a ser  o novo ponto de  fuga...confuso...







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