Os auto-suficientes...
Fala-se muito em ser feliz, e isto tornou-se uma neurose. As pessoas querem ser feliz a qualquer custo, mesmo que estejam tristes...tem dia que ficamos tristes ...não é necessário se sentir fracassado por isso...
A ocupação em ser feliz sempre pode se tornar um fardo para alguns, como uma meta obrigatória diária. Não se submeta a isso.
Se estiver frustrado porque esperava receber alguma atenção em troca da sua atenção...tem licença para ficar triste, se tiver se esforçando para conseguir algo muito difícil e sabe que não está nem perto de conseguir...pode ficar triste. se foi rejeitado, se não aguenta mais valorizar as pessoas e não ser valorizado....fique triste por favor...
Ha casos em que tudo dá certo, menos uma coisinha, e aquela coisinha foi suficiente para deixas você pra baixo, não tem problema...vale uma tristezinha bem ai, pequena mas o suficiente para ganhar um abraço, e um carinho de consolação.
Pessoas auto consoláveis são pouco interessantes, pois elas não nos deixam interagir, uma necessidade mínima de afeto pode ser a chance que precisamos para chegar mais perto delas...mas elas não nos permitem, ai temos que abandonar, já que não existem portas de entradas possíveis para que nos conectemos a elas.
Aliás autonomia e autossuficiência só são interessantes quando o assunto envolve dinheiro, todo o resto é irritante.
Conheço uma pessoa casada com outra que também conheço há muito tempo, vamos chamar pessoa 1 para a normal e 2 para a mega power auto - suficiente ok.
Então, pessoa 1 apaixonou-se pela 2, que por algum motivo tornou-se interessante, e antes que se conhecessem bem, casaram-se...tudo ia as mil maravilhas, nos primeiros meses, mas logo as personalidades se revelaram. Ao que parece a pessoa 2 tem planejamentos pessoais padronizados como crescer, se formar, ter um bom emprego casar, ter filhos envelhecer saudável e ser cremado após sua morte. Tudo previsivelmente planejado...a pessoa 1, bom ela só queria ser amada e viver um dia por vez, cumprindo sua parte mas curtindo também, e isso desnivela o padrão da pessoa 2.
O que a pessoa 2 não sabia é que havia uma falha em seu planejamento, pois a menos que tivesse conhecido um robô, ao casar-se com um ser humano ela estaria inserindo no seu modelo de perfeição a vida, as experiências e as expectativas de alguém, e isso bagunça tudo.
Bom foram infelizes por muitos anos, pois a dureza emocional da pessoa 2 fazia com que a criatividade e a sede de conhecimento da pessoa 1 ficasse de fora....e nós os amigos acompanhamos essas duas paralelas que nunca se juntavam....até que fizeram a coisa certa...eles se separaram... Calma, ainda são casados, mas se separaram emocionalmente.
Fazem as coisas práticas juntos, cuidam dos filhos e seguem a vida, e quando a questão é pessoal, cada um vive do seu jeito.
Não raro encontrar a pessoa 1 em festas, acompanhado de diferentes companhias que não a pessoa 2. que deve estar lendo livros técnicos ou assistindo algo bem solitário, como lhe dá prazer.
Assim os dois se divertem cada uma sua maneira, não brigam e mantém a empresa chamada casamento, funcionando muito bem obrigada e todos são aparentemente felizes.
Não sei se eu conseguiria viver este modelo, mas a solução foi lógica... Tudo dava perfeitamente certo, exceto pela necessidade de viver do 1 e a necessidade de individualidade do 2, eles fizeram uma adaptação e tcharan!!
Já dura um bom tempo, mas o 2 corre sempre um risco de que um dia o 1 encontre um outro alguém com o mesmo DNA de vida na veia que ele tem, e deixe um bilhete dizendo...fui comprar chicletes...e nunca mais volte...
Pessoas como o 2 não fazem ideia como é difícil dizer "eu te amo", pois para que o tipo 2 diga isso a alguém, só precisa que ele tenha programado em seu roteiro de vida...".após casar devo começar a dizer o tal de "Eu te amo" para meu parceiro", ja o tipo 1...para dizer isso precisa que alguém seja bom o suficiente para desligar todas as outras estações com sua simples presença...
Quem está certo? quem está errado? não sabemos...o fato é que eu rezo todo dia para nunca me interessar pelo tipo 2, diria até que posso viver minha vida toda sem conhece-lo, pois acredito que são necessários 2 pessoas para dançar um tando, mas ...vai que!
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