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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Ah os  franceses...


Já  se sentiu completamente  inadequado alguma vez?  e o contrário,  já  esteve em alguma lugar  que  você  olhou e disse...eu sou parte disto??

Isso  nos  acontece  várias  vezes  durante a  existência,  é uma pena  que  quando estamos  abaixo da lanterna dos  afogados, não consigamos imaginar esse  segundo lugar...onde somos perfeitos  como somos... você  se  acha  estranho por causa disso?? não é ...veja isso:

Em 1886, nasceu uma  pessoa  chamada  Manuel Bandeira, já naquela época, vinham  pessoas  adiantadas  demais para  conviver  aqui nessa terra. Em um momento em que se sentia  totalmente inadequado ele  escreveu isso: 


"Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz**"
129 anos  depois, você  ainda se sente inadequado...o jeito  é  eleger um lugar  para chamar  de  Pasárgada...e quando ninguém  parecer falar  o seu idioma, quando tudo que você  tem a oferecer parecer inútil, quando seu coração for  esmagado por um Caterpílar...você foge pra lá...


Eu estou tratando de fazer isso. Mas onde fica mesmo Pásargada??

Você escolhe,  eu tenho duas...uma  está na minha  lista de  conhecer fica em Bangkok na  Tailândia...mas  essa ideia vai ter que esperar porque minha motivação anda meio melancólica...
A outra, bom a  outra  é a França...

Eu olho e re- olho esses  caras  e digo...que coisa fluídica que sai deles..

Eles  se amam...de todas as formas, de qualquer  forma...não estão nem ai pra regras, usam o corpo como forma de expressar seu amor...seduzem, se entregam a sedução, vivem um dia após o outro...pura inspiração..., acredite!!! lá é permitido se apaixonar...onde mais isso é possível por favor???

Na frança se você  é rejeitado, você não se revolta, manda  o(a) cretino as  favas  e sai com os amigos,amigos...muitos, pessoas  de verdade, você não precisa ser rico ou inteligente para tê-los...

As pessoas  são livres, ninguém pertence de verdade a  ninguém, todos  pertencem cada um a si, e a todo mundo...

Já  ouviu falar que um francês  se  suicidou??? não, eles amam viver, e tudo que  existe na vida é motivo para  festa e felicidade...essência divina, presente dos céus...a paisagem, o vinho a comida, a arte...

Eu ando pelas  ruas olhando as  senhoras com mais de 90, elegantérrimas, sentadas com seu livro e sua baguete  numa parada para o café...elas  só foram comprar pão, mas porque não aproveitar  o passeio...está sem companhia? traga consigo  seu livro..use seu melhor batom Carmim independente de seus 80 anos...

Lá  você pode...andar com muita  roupa no calor, com pouca roupa no frio, combinar tudo, não combinar nada,  beijar na boca seu amigo, sua amiga, beijar na boca é sempre permitido...

O país tem o menor índice de  depressão per cápita....em qualquer idade...lá velho também é gente, tratado de igual pra igual...


Neste momento pra mim, pensar que estarei em Pasárgadas  em breve, é  o que me motiva...

Se eu moraria lá? não...eu amo meu país, e se eu morasse lá, onde iria recarregar meu coração???

Olha esses caras  ai, você vai me entender...
















**Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

Texto extraído do livro "
Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

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